Sam🤍
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Vivo porque quero ou porque ainda não parei?
Quando paro de querer, ainda estou viva.
Quando minha vida se for, ainda estarei viva?
Quero escolher viver, mas não posso.
Quero escolher morrer, mas não posso.
Quero escolher.
Mas não posso.
Quero.
Mas não posso.
Não posso ser eu.
Não posso deixar de ser.
Quando quero ir, sou impedida.
Quando quero ficar, sou empurrada.
Quando decido partir, o vento sopra em sentido contrário.
Sou apenas um guarda-chuva num ventaval.
Rompo nas mãos de quem me segura e sou lançada ao vento.
Já não sirvo para amparar a chuva.
Mas voo pela primeira vez.
E não entendo:
é o começo ou o fim da jornada?
Quando escolho sorrir com o vento no rosto,
é uma escolha,
ou apenas o apreço tardio pelo inevitável?





Jess: I like this poem
Penso, logo existo?
Se eu deixar de pensar, paro de existir?
Não sei,
mas o rio continua correndo
quando ninguém o observa.
Se eu seguir o pensamento de outro,
existo por ele?
Não.
O caminho pode ser emprestado,
mas os passos ainda são meus.
Se eu pensar sem parar,
que existência me aguardaria?
Talvez a de uma ave
que conhece todos os ventos,
mas nunca pousa.
Eu existo só para pensar?
Então por que o coração acelera
antes da razão chegar?
Por que a lágrima cai
antes de encontrar um nome?
Por que o abraço consola
antes de ser compreendido?
Penso, logo existo?
Talvez.
Mas também sinto, logo permaneço.
Amo, logo me transformo.
Perco, logo aprendo.
E quando o pensamento se cala,
ainda resta alguém
ouvindo o silêncio.





o que sou?quem sou?
Se o tempo me conta um segredo do passado, de nada me serve.
Se alguém me revela os segredos de outra realidade, de nada me serve.
Se meus lábios adoçam por um beijo falso, de nada me serve.
Se o amor me chama pelo nome de outra, de nada me serve.
Se me culpam quando dei o meu melhor, de nada me serve.
Se me elogiam por algo que não fiz, de nada me serve.
O que me pertence é completo:
difícil e prazeroso,
leve e sofredor.
O que me pertence me chama pelo nome.
O que me serve pode ser a árvore que oferece sombra após a longa caminhada;
a sandália coberta de lama que pesa nos pés em dia de chuva;
o abraço quente de um estranho.
O que me serve não é perfeito.
Mas é meu.
E por ser meu, me serve.





















